
hoje, cercado de erros
procurei atividade:
fui enterrar o tédio
nas pradarias.
vaguei as serras
e montanhas frias.
bebi dos vales
toda calmaria.
e nesses rios tortuosos
naveguei calamidades.
na noite escureci
meu medo da verdade.
nas cavernas descobri
galerias sombrias
dos desejos mortos.
mutilados e esquecidos.
as pontes ligavam
mais que as terras:
costuravam dores.
infecciosas e rotas.
e a calmaria sumiu?
a calmaria dormiu.
vegeta enquanto,
sozinho,
violo cemitérios.
nos parques esperam
lembranças a serem
despertadas dos bancos.
solfejam de agonia,
semi-mortas.
as cidades escutaram
indiferentes,
esses meus passos.
os vilarejos derretiam
na beira da estrada.
a estrela inconsciente
ressonava em pingente,
como corda no pescoço lunar.
amanhecia já o novo dia
e a aurora sem trova
desfez a razão
da viagem e do peregrino.
roubaram as pradarias.
não existe paragem.
só ilusão.
um oásis mágico,
além de toda suspeita,
e de todo jazigo.
...acabei por enterrar
meus sonhos, e meus restos,
no fundo do quintal.
Um comentário:
Estando eles no quintal, fica mais fácil desenterrá-los e mais difícil esquecê-los.
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