sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

nem tudo num tampouco

nem todo suor é da labuta.
nem toda tristeza é de agonia.
nem toda morte vem da luta.
nem todo amor é fantasia.

viver toda tristeza
não é morrer de fato:
vivendo-se, morre - certeza.
(seja no espera ou no ato).

viver é já mortalha
que visto sem lamento
numa louca batalha
contra o vento.

pois há de vir no vento
o tempo da tempestade
a embalar toda a cidade
em dissonante intento.

a morte há de levar
até as crianças nos braços
mas não tremo em constatar
na vida semelhante traço.

se na calma pressinto a peste
"verdade" sei que essa se chama.
velas ao leste!
quero tocar do sol a chama.

tocar, sentir queimar
antes que tudo se perca
em meio a vento e a poeira.
em meio a papel e a solidão.

pois não há cerca
pro meu descompasso,
nem mínima razão
pr'essa loucura.

Um comentário:

Rê-Rá disse...

Oi mais uma vez (eu disse que voltaria)...
Eu coloquei um link para cá no meu blog pessoal. Você se importa?