terça-feira, 25 de março de 2008

carta n° 1 [de auto-piedade]

não importa o quão piegas isso possa soar, ou melodramático e auto-piedoso; sei que sentimentos como esses subsistem na escolha de cada palavra.
talvez com essas palavras tão emprestadas e gerais, de algum modo tosco e imaturo, meu coração deverasmente chora-deschorando, chora arrependido e humilhado, escondido, sem mais sequer dizer palavra própria. escusando-se a uma palavra tão estrangeira dele mesmo, que ao encontrar-se de fronte delas ele, assustado, sorri até, reconfortado por não ser responsabilidade de ele pensá-las e possa simplesmente cuspi-las - como a boca joga fora uma bala doce (ou seria azeda?)... mas depois se arrependesse de vê-la descartada, jogada como fosse sua palavra à exposição pública.
me reconforto pela autenticidade do sentimento, talvez. ou talvez me martirizo pelo desconcerto dessa coisa tão fora de mim e tão minha. pois no fundo sei que a dor brotara tão desarvorada que não me deixara clareza ou palavra pura, sendo mais real que muita dor que por aí anda vadia.
e num suspiro de renuncia, súplica, refúgio e desjuízo, me desprendo do meu orgulho, num jargão aborrecido - e nunca tão profundo:

"tenho saudades de mim."

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imagem:http://www.majarti.blogger.com.br/Solidao.jpg

Um comentário:

Ângela Maria disse...

Visitar seu blog éuma experiencia etanto! È se perder noslabirintos do seus versos para se encontrar na essencia dasua alma. .Tenho para mim que você já deveria ser leitura obrigadoria entre os jovens de todas as idades. COm carinho,sua fã.Ângela