quarta-feira, 5 de novembro de 2008

a última lembrança

tenho medo do escuro, mãe.
deixe a luz acesa.
cada dia é um segundo, mãe,
antes que eu adormeça.

deixa fora, mãe, esse medo
ele não deixa a paz.
esconde logo esse silêncio,
ele não se desfaz!

tudo agora é vazio, meu filho.
deixe estar.
o mundo é farto e eterno fastio,
o que resta é esperar.

deixa disso, mãe! vem! se mexa!
a porta está aberta, é só passar.

vai-se embora! corre, menino!
é a sua hora de atravessar.

que é isso que cê treme, mãe?
alguma coisa aconteceu?
não é nada grave, querido
é só que agora me anoiteceu.

quê eu fasso, mãe? agora tá tão frio!
por que dessa voz rouca?

vai-se embora que a manhã é pouca, filho.
não te esquece que a brisa é sempre abrigo, e vai.
o Sol te aquece, e não esqueça:
cresce! voa! corre, menino! agora o seu destino é seu.

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*imaginem um violão tocando ao fundo,
encontrem um ritmo...
será que eu paro por aí?

Um comentário:

Abraão Vitoriano de Sousa disse...

é um luxo essa poesia! a essência tão profunda... gostei!