quarta-feira, 1 de novembro de 2006

conta gotas

pois digo o que sou:
o grilhão dos meus sonhos.
todos, parece, jazem mortos
abaixo dos meus pés.

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ia dizer alguma coisa...
mas o átomo átono
rompeu minha voz.
comi
o cogumelo radioativo.

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é pau é pedra é o fim do caminho
da pedra
da perda
da porta
do mundo
de moinhos
e gigantes
...e tontos mais
outros devaneios...

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parece até certeza,
mas me privo das certezas.
certezas são mentiras
que ainda não se descobriram
como falsas metades
de uma garrafa vazia.

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posto que és muito bela
árdua foi, pois, esta tarefa:
achaste como mais bela
entre as estrelas seladas
dos teus olhos singelos,
e tão profundos,
nos quais me encerro.

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PS: te vez que saem gotas, não pérolas nem lixo.
gotas pequeninas
e nada mais e nada menos...